Algo A Dizer
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All about brazilian music – os cem maiores artistas da música brasileira?

Por Áurea Alves

A revista mensal Rolling Stone, edição brasileira, publicou em sua edição 25 a lista dos 100 maiores artistas da música brasileira. Para tal levantamento foram colhidas as opiniões de jornalistas dos principais órgãos da imprensa brasileira e outros das diversas editorias da própria revista. Ainda que possa haver reparos à lista pela ausência de nomes ou pela inclusão de outros, bem menos expressivos do que os omitidos, o resultado apresenta uma bela radiografia da evolução da música popular brasileira. Tom Jobim encabeça a lista cujos dez primeiros colocados são: João Gilberto, Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, Roberto Carlos, Noel Rosa, Cartola, Tim Maia e Gilberto Gil.

Essa escolha como toda a grande lista não basta para uma música tão diversificada como a Brasileira, de modo que é preferível tratá-la como um todo e enxergar as dispersões. Não há informações quanto a pontuação atingida, mas não existem dúvidas quanto às unanimidades e quanto à dispersão dos nomes escolhidos se considerada a data de surgimento desses artistas: 80% surgiu até o decorrer da década de 1970 e 35% do total surgiu nos anos 1960.

Os números apontam as chamadas épocas de ouro da música, anos 1930/1940 e 1960, ratificando o que já está registrado em diversos livros de pesquisadores da música. Ao mesmo tempo, a concentração de nomes nos anos 1960, assim como a ausência de alguns nomes dos anos 1940, como Geraldo Pereira, indica que a música que se referencia, hoje, essencialmente é aquela pós-bossa-nova. São artistas ainda vivos, com grande exposição na mídia e reconhecimento internacional.

A liderança de Tom Jobim e João Gilberto ratifica o papel histórico dos mesmos para nossa música. Nos últimos 20 anos surgiram poucos nomes significativos, a ponto de figurarem no ranking nomes como Lulu Santos, Herbert Viana, Marcelo Camelo e Marcelo D2, além de Max Cavalera (da banda Sepultura). Coerentes em sua opção musical nenhum destes provocou qualquer comoção com sua obra. São artistas ligados a nova dinâmica de divulgação, a era do vídeo-clipe, das trilhas sonoras de novela, das emissoras FM e da ação ostensiva das grandes gravadoras. A exceção é Mano Brown (rapper paulista), que fez sucesso a partir de um disco independente, cuja venda ultrapassou 1 milhão de cópias, no boca a boca. As gravações independentes passaram proliferaram-se, com a simplificação da produção e as vendas, passaram a ocorrer de mão em mão.

Fora do circuito comercial oficial, não se tornaram reconhecidos, exceto quando promoveram vendas superiores, como o caso citado. Embora não se possa negar que a melhor música do Brasil é produzida de modo independente, não é possível identificar um movimento orgânico e qualitativo que coloque o atual momento como significativo para a música. As surpresas que podem ocorrer estão no campo da divulgação e do mercado, com o crescimento do número de usuários da internet e a possibilidade do ouvinte compor seu próprio repertório sem recorrer às prateleiras das lojas de discos.

Listas não são unanimidade. A Rolling Stone americana, já publicou várias delas, sendo a mais recente a dos maiores cantores da música americana. A ausência mais estranha: Frank Sinatra, contra a presença, por exemplo de Bob Dylan. No caso do Brasil, a falta de Candeia é significativa, assim como a do já citado Geraldo Pereira, Donga e Sinhô. Certamente os fãs do Capital Inicial e Skank devem estar indignados com a ausência dos nomes de seus líderes. O que se há de fazer.
Áurea Alves é jornalista e edita o blog UNBUBBLE http://unbubblebr.wordpress.com e em inglês http://unbubble.wordpress.com (dedicado a divulgação de trabalhos pouco ou desconhecidos).
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