Algo A Dizer
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A cegueira da esperança

Por Rafael Brito

Chegamos ao novo milênio e o auge da globalização nos provém uma nova realidade, novas situações e novas possibilidades.

Dia 20 de janeiro Barack Hussein Obama assumirá o cargo de Presidente dos EUA. Obama, o maior “pop star” da atualidade, cujos ingressos para a cerimônia de posse esgotaram em um minuto, mais rápido ou tão rápido quanto Madonna ou Rolling Stones, possui o maior índice de aprovação de um presidente eleito em décadas nos EUA: cerca de 80%.

Pela primeira vez na história podemos observar um movimento sebastianista mundial. Todos o vêem como um símbolo da esperança. Impressiona o que o governo Bush, um dos piores governos da história dos EUA, que desgastou enormemente a imagem do país pode provocar: “change”.

Descendente de africanos, nascido no Havaí, na Oceania, um cosmopolita que representa o novo desejo mundial: o fim do unilateralismo, da política de isolacionismo e acima de tudo um governo “Não-Bush”.

Com o vilão veio o herói e a cegueira coletiva.

Surgiu no horizonte a voz do diálogo, de novas medidas em relação ao meio ambiente e o fim da guerra do Iraque. Mas essas diretrizes guiariam governo pós-Bush sendo ele democrata ou republicano. É sempre bom lembrar que muitos pontos defendidos durante a campanha eleitoral não se concretizam enquanto governo.

O grande desgaste norte-americano e a pressão da comunidade internacional não permitem mais ações unilaterais como o governo Bush produziu.

A ascensão do ex-Vice Presidente e Nobel da Paz Al Gore, os reflexos negativos da falta de colaboração do governo norte-americano as políticas anti-aquecimento global e influências externas demandam uma nova postura do futuro governo, junto com novas ações em prol do meio ambiente, como o aumento do consumo de biocombustíveis.

Os EUA perderam a guerra do Iraque e é necessário sim uma redução, e possivelmente a retirada das tropas no Iraque, e assim transferir recursos para o Afeganistão. Além disso, o essencial foi atingido: as empresas petrolíferas norte americanas já se instalaram nos campos iraquianos.

O Império Americano chega num novo patamar de liderança mundial, através de um líder adorado pela maioria da população ocidental, conseqüência do monopólio cultural e dos meios de comunicação.

Como diria David Ricardo “o mundo não vai mudar, já mudou”. E assim o Império. A nova fase do Império:

Obama o Imperador.
Rafael Brito é estudante de Relações Internacionais e possui o blog: www.saigonhavana.blogspot.com
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Comentários
  Amaro de Souza
25/01/2009

Causa espanto, as pessoas de nível elevado de conhecimento (aparente), ficarem a esperar uma mudança na política de dominação, que os Estados Unidos mantém mundo afora. É um processo imutável, na qual fazem parte a Inglaterra, Australia, Nova Zelandia e parte do Canadá de idioma inglesa.
 
  Felipe Moreira
29/01/2009

O que faz com que o seu discurso seja, não um sintoma, mas um além da cegueira coletiva? Você identifica um estado de coisas ideológico e se diferencia dele. Mas não fica claro qual seria a legitimidade dessa sua fala pretensamente objetiva.
 
  Rodrigo Viegas Martins
29/01/2009

Dificilmente Barack Obama tomará medidas unilaterais. Essa cegueira é nítida, e as pessoas se propõem a tudo quando estão cegas desse modo. "Imperador Obama" vai ter muita gente para atrapalhá-lo, assim como John Kennedy teve. Ele é considerado a salvação, assim como John Kennedy foi. E a crise vai ter que correr junto com Obama, que não pode se desesperar. É esperar pra ver.
 
 

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