Algo A Dizer
Algo a Dizer
 

Entrevista: Hercules Correia

Entrevista com Hércules Correia publicada no “Caderno Especial” do Jornal do Brasil de 29/7/1979, sob o titulo “O PCB Encara a Democracia”. Era a visão de um operário sobre a democracia e a recordação que os cariocas tem dele.
Retirado do blog de Gilvan Cavalcanti de Melo (http://gilvanmelo.blogspot.com/2008/10/homenagem-ao-ex-lder-comunista-hrcules.html)

Por Gilvan Cavalcanti de Melo

O Partido não é instrumento para vingança
“Muita gente chegou e continua chegando ao Partido com várias nuanças de uma mentalidade sectária, dogmática, esquerdista. Sem se dar conta de que tudo isso foi derrotado e recusado a partir de 1958, pelo próprio Partido. Particularmente os que são de origem pequeno-burguesa, ou de camada média urbana, trazem ou tentarão trazer uma compreensão que não é a correta sobre o nosso Partido. Costumo dizer que esses chegam, aderem a ele, não porque querem transformar revolucionariamente a sociedade, mas por que querem se vingar da sociedade. Toda essa gente precisa convencer-se de que o PCB não é um partido de vingança. Não é um instrumento para alguns da pequena-burguesia que tentaram ser burgueses e não conseguiram, porque a “concorrência” não lhes permitiu. É preciso ficar bem entendido que não queremos vingar-nos da sociedade. Mas. transformá-la revolucionariamente, como um ato de vontade e decisão das grandes massas”.

E Hércules Correa, mais um dos 18 do Comitê Central do PC.B, um dos mais notórios dirigentes do CGT antes de 1964, quem fala, O “Gordo “, como todos o chamam, um dos homens mais procurados pela polícia em todo o Brasil, em 1964, cuja prisão e morte foram anunciadas (e até fotografadas) várias vezes, logo depois da queda de Goulart. Tem 50 anos, dois filhos, três netos que não conhece e a mulher no Brasil. Para ele o tempo não parece ter passado. Continua com a mesma aparência que ostentava quando foi eleito, inclusive com os votos da UDN de Carlos Lacerda, primeiro-secretário da Assembléia Legislativa da Guanabara, de quem dizia o também udenista Aliomar Baleeiro: “Está vendo aquele caboclo? É uma força da natureza. Não sei como aprendeu a falar, mas a verdade é que nunca abre a boca para dizer bobagem.”

Como foi sua morte em 1964?
Tudo isso foi obra de vocês, da imprensa, do rádio e da televisão do Rio. E parece que chegou até a outros estados, porque muito tempo depois disseram-me que em Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, essa história também foi contada. O que houve é que alguém da polícia do antigo Governo da Guanabara decidiu criar e espalhar o boato. Talvez para justificar um assassinato, se me prendessem. O fato é que até o dia 7 de abril de 1964 andei e fui visto por muitos nas ruas do Rio. Só quando percebi que a caça se intensificava é que me recolhi... Do que lembro, essa história durou até 1966. Um telejornal chegou a exibir meu corpo boiando no rio, ali no limite da Guanabara com Caxias. Num programa de notícias do Heron Domingues, disseram também que tinha sido cercado numa fazenda no Paraná por tropas do Exército, mas que conseguira fugir milagrosamente. Nunca estive no Paraná, embora tivesse viajado muito pelo Brasil – de onde só sai em junho de 1974. Dez anos depois do golpe, da noticia da minha morte, e de ter cumprido – na clandestinidade – uma intensa atividade política.

Esses dez anos teriam sido os mais difíceis e movimentados de sua história de agitador comunista?
Talvez não. Porque o que trabalhei politicamente de 1960 a 1963 foi uma enormidade. Nesse período tive que combinar, inventar tempo para ser presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem do Rio de Janeiro, presidente da Comissão Permanente das Organizações Sindicais da Guanabara, Deputado à Constituinte (eleito com 10 mil votos) e, mais tarde (1962), deputado estadual (14 mil votos), sob a legenda do PTB, primeiro secretário da Assembléia Legislativa e dirigente do CGT.

Foram anos em que conheceu muita gente importante, daquela que vocês, comunistas, consideram representantes da “classe dominante”. Como foi seu relacionamento com eles?
De um modo geral, em quase todos os casos, foi sempre cordial e respeitoso. Muitos deles, mais tarde, depois do golpe, deram-me demonstração de amizade. Houve até quem me oferecesse casas e sítios para que não caísse nas mão da polícia e do Exército. Como membro da comissão constitucional, trabalhei e conheci bem Temístocles Cavalcanti, Aliomar Baleeiro, Roland Corbisier, Paulo Alberto, Sandra Cavalcanti. Muitas vezes tratei com Ministros e com três Presidentes da República: Juscelino, Jânio e Jango. A norma dominante foi sempre a do tratamento respeitoso. Talvez o único Ministro de Estado com quem tive um desacordo foi o da Justiça do Governo Juscelino Kubitschek. Ele já se chamava Armando Falcão. Foi durante a greve da paridade. Dr. Falcão quis me prender em seu gabinete, e reprimir violentamente a greve. Disse-lhe que aquilo não ia dar certo, não resolveria coisa alguma, ao contrário. Felizmente estava presente também o Tenório Cavalcanti, que gritou mais do que o Ministro, e tudo acabou mais ou menos bem.

gênero de participação, com que experiência e visão vocês pretendem voltar ao Brasil?
Não devemos em hipótese alguma nem praticar nem permitir, nesse processo político brasileiro, o que nós chamamos de radicalização. Nem quando ela pareça motivada por muito boa intenção. Radicalização, em política, sempre houve e haverá. Mas só se justificou e justifica como uma ato de vontade e de estado de consciência das massas. Jamais de alguns indivíduos. Esse é o ensinamento que tivemos antes de 1964, e foi também a causa da derrota de 1964. Não que nós, comunistas, tenhamos sido os únicos responsáveis por aquela radicalização, mas porque fomos bastantes responsáveis, na medida em que dela participamos e a estimulamos. Tínhamos, por exemplo, um Governo como o de João Goulart, com seus defeitos, suas debilidades, mas sempre um Governo que se esforçava para manter o funcionamento das liberdades democráticas no país. Em certo momento não demos muita importância a essas suas características, passamos a achá-lo um Governo de conciliação. E passamos a combatê-lo. No terreno do movimento sindical, em vez de ter em conta que havia um aprofundamento das contradições na sociedade brasileira, que era importante que tudo isso se desenvolvesse, em favor da classe operária e dos trabalhadores, e que era importante seguir, levar adiante o processo democrático, o que fizemos? Optamos exclusivamente pela greve. Deixamos de solucionar uma série de questões, como a dos salários, usando outras formas de luta, outros mecanismos. Uma forma de paralisar a produção, que nem sempre ajudava a encontrar a solução justa para nossos problemas. Só deu pretexto à burguesia para descarregar sobre a classe trabalhadora o ônus da inflação. Com isso não digo que todas as greves foram erradas. Digo que não esgotamos, em cada momento, toda uma linha de negociação, antes de recorrer à instância da greve. Geralmente nosso posicionamento era: primeiro a greve para depois negociar. Um posicionamento que se transformou em elemento de radicalização. Outro exemplo, outro elemento de radicalização? O nosso engajamento com a palavra de ordem de “reforma agrária na lei ou na marra”. Não havia força acumulada para esse tipo de palavra de ordem e muito menos para a ação que ela devia desencadear.

Então a linha do retorno de vocês é de prudência e cautela, talvez até de preservação do status quo?
Vamos seguir com posição contrária a qualquer ação que não corresponda a um nível de consciência e a uma participação das massas. Sem esse nível de consciência e participação, nossa posição é pela busca de caminhos, meios e formas para a conscientização e para a integração das massas. Portanto não ficaremos naquela de defender o status quo. Lutamos pela transformação da sociedade, logo não faz sentido optar pelo status quo. A questão é de forma, é do modo de realização. Na busca de tudo isso, praticaremos, como estamos praticando, uma posição de prudência, de equilíbrio, de uma orientação de bom senso.

A hipótese da legalidade do PCB não implicaria fatalmente no esfacelamento da frente oposicionista, que até aqui se reuniu no MDB?
Se os políticos das outras organizações tiverem bom senso, não acredito nesse esfacelamento. O que pode haver, de fato deve concretizar-se, é uma separação no plano orgânico. Mas não acredito que todos aqueles que sofreram esses 15 anos de repressão, de dificuldades, e que estiveram empenhados na luta para aglutinar uma frente única ou uma confederação de oposições, vão perder a cabeça. Que queiram avançar além da separação orgânica, para uma divisão política diante das questões que estão colocadas na ordem do dia. Nossa posição é para manter um entendimento com todas essas forças. Porque só foi com essa unidade que se conseguiu este resultado, isto que está acontecendo hoje no Brasil. Nós acreditamos que é possível manter essa unidade mesmo no momento da separação orgânica. É possível e vamos batalhar por isso.

Acredita que se fala seriamente em democracia, no Brasil?
Quero crer que sim, pelo menos da parte daqueles que se bateram contra o regime. Por parte do regime, se alguém, dentro do Governo, está falando honestamente, vai ter que dar prova. Vai ter que provar com atos. E a primeira delas seria pôr-se ao lado da Constituinte.

Não admite que o empenho e as identificações da Igreja com as lutas sociais, pela redemocratização do país, possam ter se esgotado com a Anistia?
Em defesa das liberdades, em defesa dos direitos humanos, da democracia, quero crer que não. Mesmo porque se a Igreja tentar abandonar essa bandeira, novamente terá dificuldades no relacionamento com os católicos com a grande massa que vai à Igreja. É muito difícil aceitar que a Igreja involua tanto. Até porque a posição da Igreja brasileira, na Conferência de Puebla, foi conseqüente, confirmou sua posição. Na América Latina, a Igreja brasileira, em Puebla, foi aquela que mais contribuiu para uma tomada de posição, digamos, democrática, equilibrada. Pela própria experiência que cumpriu nos últimos 15 anos, a Igreja brasileira não vai abandonar essa luta, não vai deixar esse campo. As diferenças entre as posições da Igreja e as nossas vão surgir de modo acentuado. Não tenho dúvida de que será assim. Mas isso é normal: democracia é assim mesmo.

Em 1945, depois de nove anos de prisão numa cadeia da ditadura Vargas, Luiz Carlos Prestes surpreendeu o país apresentando-se ao lado do ditador no célebre comício do Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Hoje seria possível a repetição de um reencontro desse tipo, do PGB com representantes dos governos militares?
Não acredito nessa repetição. Mesmo porque as épocas, os homens, as forças políticas são distintas, com histórias e objetivos diferentes. O Getúlio que saía do Estado Novo deu uma guinada na direção de posições nacionalistas. Deu uma demonstração de querer atender certas reclamações populares, inclusive dos operários. Ainda agora discute-se muito essa posição do Getúlio. Os articuladores do golpe de 29 de outubro de 1945 disseram que tudo foi demagogia, feita com a esperança de manter o Estado Novo. É possível que tenham razão. Mas o fato concreto, objetivo, é que Getúlio Vargas caiu, foi deposto, mais por isso do que por outra coisa. Outro fato indiscutível é o de que ele foi eleito em 1950 reafirmando a posição que começou a assumir em 1945. E o resultado é que desencadearam contra ele – as mesmas forças que o depuseram – uma grande campanha que o levou ao suicídio. É possível, pode-se até aceitar como provável a tese de que em 1945 Getúlio fazia demagogia. Getúlio era muito esperto, conquistou a fama de político sagaz. Mas, na época, nós não podíamos trabalhar à base dessa indagação: se se tratava ou não de sagacidade ou demagogia de Getúlio. O que funcionava era um outro dado, um outro elemento: por uma série de circunstâncias, Getúlio adotou medidas que, se não tivessem sido contidas, se prosseguissem, conduziriam o país a um processo democrático mais profundo. Naquela época havia, era visível, uma grande presença das massas nas ruas. Não é possível – para os que viveram aqueles dias – esquecer as manifestações e as campanhas populares de 1945 e 1946. O Governo de hoje, ao contrário, comporta-se de modo inteiramente diverso: há quase dois anos apresenta-se todo empenhado em absorver as reivindicações democráticas.

Tenta preservar toda uma legislação repressiva, resguardar todo o aparelho do Estado montado sobre a repressão. Quando as forças populares, de oposição, começavam a transformar o AI-5 em alvo de um amplo movimento de massas, o regime fez uma flexão tática, absorveu essa campanha, transferiu uma boa parte do AI-5 para a Lei de Segurança. Cedeu em alguma coisa, mas salvou o que, para ele, era o mais importante. As salvaguardas, por exemplo, foram introduzidas na Constituição. Mais recentemente, tivemos a campanha pela anistia. Quando começa a se transformar numa grande campanha de massa, o Governo procura esvaziá-la.

Introduz discriminações graves no projeto de anistia. Tudo isso torna evidente demais o fato de o Governo e o regime encontrarem-se numa situação de dificuldade. Mas, ao mesmo tempo, significa que eles têm reservas, capacidade de manobra, força. Dispõem-se a enfrentar todo o avanço do movimento democrático. E é por isso que o caso Figueiredo nada tem a ver com o caso Getúlio. O que o General Figueiredo procura é uma fórmula para manter esse modelo econômico que eles montaram no Brasil, baseado na superexploração das forças trabalhadoras, que justificou a aplicação de uma terrível, aperfeiçoada repressão.

À distância, como julga a importância e a força das oposições a regime atual?
Digo como Gregório Bezerra: “nós não somos pessimistas, somos otimistas”. Mas nosso otimismo não é gratuito, ou exagerado. Justifica-se porque o avanço do movimento democrático no Brasil é patente. Facilmente verificável. A sociedade brasileira sempre rejeitou o regime, em diferentes momentos, por diferentes formas. Resistiu. O regime não conseguiu impor a sua ideologia. Tentou fabricar, produziu, mas o “ame-o ou deixe-o” não pegou.

Mas a marcha com “Deus pela família” pegou?
Mas isso foi para dar o golpe. Num momento de mobilização, de transição, em que as pessoas não sabiam bem quem era quem e o que era quê. Na hora em que o processo da grande repressão teve início, foi-se tendo uma resistência crescente. A maior manifestação disso foi dada pelo papel da Igreja católica, que participou do golpe, mas que opôs uma resistência determinante ao processo de repressão e hoje ocupa a posição que ocupa. É por tudo isso que somos otimistas. E que vemos também nossas responsabilidades acrescidas: com o dever de oferecer a melhor contribuição nossa para combater a ideologia fascista, que causou um grande prejuízo ao desenvolvimento espiritual do povo brasileiro.

Essa resistência que você observa não pode estimular, ou dar novo ânimo a outra tentativa de luta armada?
Os pescadores de águas turvas não faltam, e com certeza vão tentar trabalhar ao seu modo. Minha impressão é a de que o período e as experiências de 1968/73 mostraram que esse não é o caminho. O processo brasileiro, hoje, não permite qualquer visualização, qualquer tentativa para resolver nossos problema no plano da luta armada. Isto seria uma invencionice, miragem construída pelos grupos de ultra-esquerda que já foram derrotados, ou de focos de fascistas.

Esses dois extremos nunca perderam o hábito ou mania de cutucar o diabo com vara curta. Essa não é a posição do nosso Partido, não é a posição da Igreja, não é a posição dos intelectuais, nem do PTB que tenta reorganizar-se. No caso de nosso Partido, vamos lutar e estamos lutando pela sua legalidade, porque queremos, através do debate aberto, franco, concorrer às eleições, disputar os pleitos nos sindicatos, nas sociedades de amigos de bairros, enfim, onde houver uma batalha. Quer dizer que queremos e aceitamos o embate político dentro da convivência democrática, para que nosso povo possa evoluir politicamente. A experiência e o conhecimento que tenho do PCB me dão a certeza de que ele jamais colocará a questão da luta armada. Inclusive porque ela não é do interesse da classe operária. O operário não está interessado em mortandade. Conheço-o bem para fazer essa afirmação com tranqüilidade e segurança absolutas. Vivi com ele, trabalhei com ele, fui e continuarei a ser um deles. Minha classe não joga nessa solução.

A experiência do exílio, a convivência e o conhecimento direto de tantas fórmulas ou práticas de socialismo, serviram para definir o modelo que vocês pretendem para o Brasil?
Tudo isso nos enriqueceu e estou convencido de que vai nos ajudar a formular uma orientação mais abrangente, mais consentânea com a realidade brasileira. Hoje temos melhores condições para levar em consideração a experiência de vários países. Mas só isso: levar em consideração. Friso bem essa coisa, porque um dos erros que cometemos na vida e na prática de nosso Partido foi esse, foi o chamado erro da cópia de modelos. Mas felizmente hoje, todos, qualquer um de nossos dirigentes, tem a consciência de que nenhuma cópia nos serve.

A curto prazo, que remédios o PCB recomendaria para os males da economia brasileira? Um incremento da estatização poderia ser um deles?
A curto prazo, não se deve colocar essa questão da estatização. Mesmo porque, para o caso brasileiro, esta não é a melhor palavra. Melhor seria falar-se em nacionalização. Além de defender as liberdades democráticas, as forças políticas de oposição deveriam unir-se em torno dessa necessidade de formular uma alternativa para o modelo econômico posto em prática nos últimos 15 anos. Esse deveria ser outro fator de unidade, e de mais um esforço comum. A meu ver qualquer alternativa ao modelo econômico deve partir de uma restrição ao poder dos monopólios.

Por exemplo, no problema dos salários: praticar uma política salarial antimonopolista. Criando-se um fundo salarial com base no superlucro dos monopólios multinacionais. Um fundo que cobriria pelo menos parte das despesas com salários das pequenas e médias empresas nacionais. De modo a permitir aumentos salariais em todas as faixas, e de certo modo aumentando o poder de compra, o poder de consumo do mercado interno.

E isso não seria uma nova e curiosa forma de participação dos lucros?
Não. Seria simplesmente a criação de mais um fundo, num Brasil que tem uma grande tradição e uma grande imaginação para criar fundos. Com ele, o pequeno e médio empresários poderiam recorrer com menor insistência ao Banco Central, ao Banco do Brasil, atrás do capital de giro. Os grandes grupos monopolistas, dando uma outra função aos seus grandes lucros, beneficiariam o fortalecimento e a expansão de um mercado interno (para eles cada dia mais essencial, num mundo que cada dia quer importar menos). E o trabalhador da pequena ou média empresas teria novas condições para manter seu salário atualizado com os aumentos do custo de vida.
Gilvan Cavalcanti de Melo é jornalista
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