Algo A Dizer
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Tem horas em que eu fico sei l como

Por Sergio Antunes

Tem horas em que eu fico perplexo. Ou melhor, tem horas em que eu fico invocado. , invocado.

A diferena, pelo menos para mim, que invocado um perplexo bravo. Um pouco bravo, no muito.

Por isso mesmo que comeo dizendo que tem horas em que eu fico invocado.

Por exemplo, quando os boletins mdicos lidos pela mocinha da Globo, cabecinha prum lado, cabecinha pro outro, informam que o cara que levou sete tiros est com a sade estvel. Muito bem. Isso bom ou ruim? Por favor, algum mdico, se estiver lendo estas mal digitadas linhas, poderia escrever a em baixo, no espao dedicado aos recados, escrever e explicar o que vem a ser um moribundo com a sade estvel?

Sim, porque o dicionrio me informa que estvel sinnimo de firme, duradouro, inaltervel. O Tancredo, por exemplo, passou dias, semanas, com a sade estvel. E morreu. E hoje, pensando bem, a sade dele, digo isso com todo respeito, a sade dele, depois de morto, permanece estvel, ou seja, continua firmemente morto. H anos.

Outra coisa que me deixa invocado. quando o orador termina, com a afirmao peremptria, de que devemos levar o Brasil ao lugar que ele merece. Podia estar falando do Corinthians no lugar do Brasil. Podia ser da cidade de Lins ou mesmo da Venda do seu Manoel, ali da esquina. Levar o sujeito, que no caso objeto direto, ao lugar que ele merece quer dizer rigorosamente o qu? O Brasil, por exemplo. Qual o lugar que ele merece?

O apelo que fiz aos mdicos, para me explicar tin-tin-por-tin-tin o que vem a ser sade estvel, pode ser repetido para os polticos com relao expresso lugar que ele merece. Assim, senhores oradores, podem me explicar o que quer dizer isso? Levar o Brasil, ou qualquer outro, posio que ele merece? Que posio esta? Tirando as posies do kama-sutra, que posio essa?

E os jogadores de futebol? Alm das inmeras frases prontas, tipo "se Deus quiser", "graas a Deus" e "o importante que", tem mais uma. Ou duas. "Vamos buscar o resultado" e "o time tem que ter atitude". Afinal, que resultado vamos buscar? O resultado que o Brasil buscou contra a Holanda? E com que atitude? Como aquela atitude do Felipe Mello, pisando nos pases baixos do holands?

Pois . So frases que querem dizer absolutamente nada. Mas que servem a um propsito para quem quer dizer absolutamente nada, mas tem que dizer alguma coisa.

E tem o captulo dos boletins meteorolgicos. A eu fico, apenas, confuso.

Vejam, a moa do tempo. Todo santo dia tem a moa do tempo e ela, a moa do tempo, informa que est mais quente ou mais frio do que a mdia para aquela ocasio. Ou que est chovendo acima ou abaixo da mdia para aquela poca do ano. J repararam que o clima nunca est na mdia? Est sempre com a temperatura e com as chuvas acima ou abaixo da mdia. Afinal, que mdia essa, cacilda?

Agora, o que me deixa mais invocado, eu diria mesmo cabreiro, que o perplexo, bravo e desconfiado, o que me deixa cabreiro, a meteorologia. Para comeo de conversa, o que vem a ser tempo bom? Amanh vai fazer tempo bom, anuncia a moa do tempo rindo de felicidade pelo fim de semana de sol. Bom para quem? Eu, que tenho bronquite asmtica e rezo por uma chuvinha no inverno, devo torcer por quem? Pelo tempo marvado?

Sergio Antunes é poeta e escritor
Contato: sergioantunes@ig.com.br

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Comentários
  ACXWwELdHEOD
08/12/2012

Fiquei tentado a ler o livro para melhor entender algumas idéias. Talvez, você possa me ajudar, mais uma vez.A respeito do aquário, por exemplo. Se tudo o que, de fato, existe é criação nossa, inclusive a Ciência, nada pode existir do lado de fora dele, ou seja, nada pode existir que não conheçamos, que não faça parte da realidade.Vejo duas consequências para esse raciocínio: Se nada existe fora da realidade do nosso aquário, não há possibilidade de conhecermos nada de novo, porque estaríamos falando em DESCOBRIR o que não existe. Nesse caso, os novos conhecimentos desmentem a teoria, na medida que surgem e, inclusive, aumentam o nosso aquário.A segunda consequência seria crer que todo o conhecimento, invariavelmente é construído e não descoberto. Nesse caso sim, a Ciência é uma criação. Essa hipótese também me parece absurda, já que a despeito de nosso conhecimento as leis naturais sempre funcionaram. A água não passou a hidratar só porque “criamos que ela hidrata”. Ela sempre hidratou. Se amanhã aprofundarmo-nos na composição da água, as novas criações não invalidarão toda ação que a água provoca. No máximo, entenderemos melhor a ação que pouco conhecíamos. Assim se fazem as leis universais que, mesmo desconhecidas por nós, existem e regulam a vida em variadas manifestações. A vida não existe porquê a Ciência a criou.Adotar uma possibilidade dualista também me parece impreciso. Se dissermos que as Ciências Naturais descobrem e as demais constroem, já invalidamos a idéia de que “tudo que existe é criação nossa”.Nas minhas atuais limitações, o que consigo projetar é:a) Existem leis universais que já existiam antes dos nossos esforços mentais. A Ciência, timidamente, interpreta de maneira correta ou equivocada os efeitos dessa lei.b) Nós co-criamos novas causas e efeitos, seja de maneira in
 
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14/12/2012

Sou leitor e admirador de Marcelo Gleiser desde o lançamento de seu A Dança do Universo (1997), autografado por ele em uma de suas palestras. O título de seu livro – Criação Imperfeita – me deixou intrigado, não pela Imperfeita, mas pela Criação. Ora, se Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, a rigor não poderíamos falar em criação, no máximo – Natureza Imperfeita. Mas quem sou eu para recusar o título do livro de um cientista-escritor tão brilhante! De qualquer maneira nehum cientista disse que a Lei de Lavoisier foi revogada pela Teoria Quântica, sobretudo porque os “achados” dessa, segundo o próprio Gleiser, são apenas possibilidades. Surpreendi-me também com sua pouca ênfase à Teoria do Universo Eterno, aliás inteiramente compatível com a descoberta de Lavoisier. Ainda mais que essa nova Teoria, defendida pelo nosso cosmólogo Mario Novello e alguns outros, é muito mais elegante do que o Milagre do Big Bang, que teria sido cunhada aliás por um teólogo-matemático, George Lamaître. Novello foi publicar seu livro da Teoria do Universo Eterno na França. Este físico considera uma enorme imprudência afirmar que tudo começou no Big Bang e, ao contrário de um começo, o que ocorre é um processo. Meus personagens em O Garoto Que Queria Ser Deus inspiraram-se em Gleiser e vários divulgadores de ciência para fazer suas indagações: Deus existe ou Ele é uma invenção de homens primitivos conservada pelo homem moderno por razões de conveniência: Os livros santos de todos os credos são a fonte da verdade ou são apenas mitologias, lendas e fábulas milenares? É possível nos desvencilharmos do Deus recebido no colo da mãe? insurance quotes infinity automobile insurance
 
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21/12/2012

Estou contigo nessa idéia de que o importante é pensar na melhoria dessa realidade de agora, desse momento historico.Mas me diga uma coisa. Você consegue pensar em melhoria sem que exista uma escalada em que num sentido seja melhor e no outro seja pior? Eu ainda não consigo. Acreditar em mudança que leve à melhoria é acreditar no progresso, num sentido bem próximo do aureliano.É nesse sentido que eu abraço a idéia de que exista um caminho mais próximo do que é certo. Mesmo que a gente ainda não o enxergue com clareza.Talvez me falte reflexão, mas eu acho que a improdutividade pode acontecer nas duas vertentes, dependendo do interesse:Há cientistas que buscam verdades para satisfazer uma sede intelectual de conhecimento, sem falar nos que fazem grandes descobertas para lançar mais creme na indústria de cosméticos.Por outro lado, tenho achado a proposta da filosofia contemporânea, de sujeitos como Richard Rorty, polifônica e inerte. Não se pode fundamentar o conhecimento, quem dirá políticas. Cada um fala o quer, todos batem palma e nada muda.Por fim, no meu sonho possível, troco a descoberta de novas galáxias pela descoberta de uma receita de capim tiririca com pedra, que acabe com o problema da fome. Troco a polifônia improdutiva e instável, pela execução verdadeira de uma idéia batida e demodê como a da fraternidade ou a da igualdade. Pena que não é assim tão fácil! rsForte abraço! taking cialis and viagra together ordering viagra
 
  GryMoZUyiNjnH
25/12/2012

Complementando essa visão, eu diria que:a) a produção é uma necessidade de qualquer sociedade para sobreviver;b) sem motivação, ninguém produz;c) o lucro, foi acertado, seria a motivação para produzir;d) mas de motivação para atender à sociedade, passou a objetivo final, transformando o que deveria ser meio – incentivo – no único propósito;e) essa dinâmica na qual “o cliente tem razão” (falso) / “mas no fundo quem tem razão é o acionista” funcionou e funcionará algo do gênero com o controle da mídia, sem ele, a lógica será denunciada facilmente;f) a tentativa do comunismo é basicamente o fim do lucro, mas, o que fica no lugar é a falta de motivação, o que não nos leva a produção e o que nos leva a crise;Ou seja, o caminho do mundo 2.0, no qual o cliente quer ter razão de novo, é a procura de uma recolocação do lugar do lucro como motivação e não o fim em si mesmo, o que nos leva a uma revisão no próprio capitalismo.(Passando pela revisão do modelo do capital que investe em qualquer coisa para se reproduzir.)É isso, pode parecer loucura falar nisso agora, mas lembro que o feudalismo virou capitalismo, numa ruptura da mídia similar, com a oxigenação social da plataforma de conhecimento do livro impresso.Vivemos algo semelhante, o que nos leva a pensar que em se plantando Internet, ou uma nova mídia de oxigenação social, deve nascer uma nova civilização, como foi no passado.Que dizes? college online cheapest car insurance
 
  smallkat
15/05/2013

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